quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Deus Decepção


Eu,
Cheio de preconceitos,
Racista!
Eu,
Com falsos conceitos,
Neo – nazista!
Eu,
Detestando pretos.
Eu, sem coração...
Eu,
Perdido num coreto
Gritando: “ – Separação!”
Eu,
Você,
Nós...nós todos,
Cheios de preconceitos,
Fugindo como se eles carregassem lodo
Lodo na cor... E com petulância,
Arrogância,
Afastando a pele irmã.
...Mas
...Eu estou pensando agora:
E quando chegar minha hora???
Meu Deus, se eu morresse amanhã,
De manhã???
Numa viagem esquisita,
Entre nuvens feias e bonitas,
Se eu chegasse lá?
E um porteiro manco,
Como os aleijados que eu gozei,
Viesse abrir a porta,
E eu reparasse sua vista torta,
Igual aquela que eu critiquei?
Se sua mão tateasse pelo trinco,
Como as mãos do cego que não ajudei?
Se a porta rangesse,
Chorando os choros que provoquei?
Se uma criança me tomasse pela mão,
Criança como aquela que não embalei...?
E me levasse por um corredor florido,
Colorido,
Com as flores que eu jamais dei?
Se eu sentisse o chão frio,
Como dos presídios que não visitei?
Se eu visse as paredes caindo,
Como das creches e asilos que não ajudei?
...E se a criança tirasse corpos do caminho,
Corpos que não levantei
Dando desculpas que eram bêbados, mas eram epiléticos,Que era vagabundagem, mas era fome.

Meu Deus!
Agora me assusta pronunciar seu nome!
E se mais pra frente a criança cobrisse um corpo nu,
Da prostituta que usei,
Que raiva, que desespero,
Se visse o mecânico, o operário,
Aquele vizinho, o maldito funcionário
E até, até o padeiro,
Todos sorrindo não sei de quê...
Ah! Sei sim, riem da minha decepção.
Deus não está vestido de ouro,
Mas como???
Está num simples trono.
Simples como não fui,
Humilde como não sou.
Deus decepção!
Deus na cor que eu não queria,
Deus cara – a – cara, face – a – face
Sem aquela imponente classe
Deu simples! Deus negro!
Deus negro!
E eu...racista,
Egoísta,
E agora???
Na terra só perseguir os pretos,
Não aluguei casa, não apertei a mão.
Meu Deus você é negro, que desilusão.
Será que vai me dar uma morada?
Será que vai apertar minha mão?
Que nada!
Meu Deus você é negro, que decepção! Não dei emprego, virei o rosto
E agora? Será que vai me dar um canto,
Vai me cobrir com seu manto?
Ou vai me virar o rosto no embalo da bofetada que dei???
Deus, eu não podia adivinhar,
Porque você se fez assim?
Porque se fez preto,
Preto como o engraxate,
_Aquele que expulsei da frente de casa.
Deus, pregaram você na cruz
E você me pregou uma peça,
Eu me esforcei a bessa
Em tantas coisas, e cheguei até a pensar em amor,Mas nunca, nunca pensei em adivinhar sua cor!



(Neimar de Barros)
*Esse poema é uma forma de refletir sobre o - Dia da Consciência Negra 20 de novembro.

15 comentários:

FRAN "O Samurai" disse...

Olá rapaz!

Maravilhoso poema de Neimar de Barros. Ele é profundo e nos faz refletir sobre esse preconceito que nunca acaba...

Até quando meu Deus!

Parabéns pelo seu Blog. Gostei muito de ter conhecido seu espaço. Você tem muito bom gosto...

Deixei um MEME para você responder lá no meu Blog!

(Se quiser não respondê-lo fique a vontade)

Abraço.

Serginho Tavares disse...

LINDO DEMAIS
pena que as pessoas estão cada vez piores em pleno século XXI

beijos amigo como sempre você sabe o que postar aqui!

Camila disse...

Muito bem escolhido para o dia! Este poema nos faz pensar.
Beijo

[Farelos e Sílabas] disse...

...

Sábias palavras do profeta, ups, poeta Neimar!

Pra se pensar, pra se ("auto") pensar, pra se refletir, pra se ("auto") refletir, pra se entender, pra se ("auto") entender, pra se descansar e saber...

SOMOS TODOS IGUAIS,


ainda que desiguais, diferentes, diversificados, indivíduos, únicos, especiais, qualquer que seja!

Adorei! Beijo, rapaz!


...

Duda Martinez disse...

Amado Hugo, você leu o recado que deixei pra você lá no meu Blog?
Quanto a esse seu post, só consigo lhe dizer que há preconceito de mais para motivos de menos.
Beijos

Zek disse...

Que a reflexao não se limite ao dia de hoje, que se estenda fazendo um amanha melhor....

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

É bom refletirmos sobre os nossos preconceitos contra a raça negra. Mas também precisamos refletir sobre os nossos preconceitos contra a raça amarela, a vermelha, a albina, e até a branca. Deveria haver um dia para cada uma e não só para uma. O poema ou canção, não sei, exprime seu rancor contra os que têm preconceito contra UMA raça, e se esquece dos preconceitos contra as outras raças.
Meu amigo anda em falta comigo. Não foi comentar no galeria, nem no meu Blog novo, em que publico as minhas traduções dos sonetos de Shakespeare:
http://poemasscancoes.blogspot.com
EStou à sua espera, Hugo.
Beijos da Renata

LOURO disse...

Olá Hugo,Belissima postagem,gostei de visitar o teu blog,
vivo em Portugal.
Bom fim de semana,
um abraço
Lourenço

Glayce disse...

Sem desmerecer, claro, mas eu li vários textos nos blogs sobre a consciencia negra, em nenhum eu encontrei palavras que me emocioanssem tanto! E não se trata só de discriminação racial...
Parabéns pela escolha!
Beijos

Bell Bastos disse...

Cara, esse poema realmente foi uma exelente escolha.

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O aniversário é meu e você é quem pede o presente é?
huahauhu

Duda Martinez disse...

Amado, me manda seu e-mail para que possamos "conversar" melhor.
Hoje, às oito da noite eu entro pra pegar e em seguida você apaga o post, ok? Não temos outro jeito de nos comunicar.
Beijosssssssss

HSLO disse...

E-mail: hugolimaa@yahoo.com

MSN: huguinho_slo@hotmail.com

Vivian disse...

...olá meu querido Hugo!

sei que às vezes lhe vejo passar
pela minha casa, e eu relapsa não
retribuo as visitas.

mas hj estou aqui com o coração
agradecido, para te ler e tbm parabenizá-lo por tão bela página.

um bj, procê!

Germano Xavier disse...

E vamos pensar no Negro ou em qualquer outro apenas no dia que inventaram pra ele?

Isso me incomoda.


Abraço, meu caro.
Continuemos...

Abelmon disse...

Inspirado!
Post do ano passado... Mas um poema ainda inspirado! Simples e sem desculpas.