Nunca fui de retratar meu cotidiano real por aqui, até por que, sempre utilizei músicas, poemas, frases, textos e imagens, para poder descrever minhas emoções. Mas, hoje, lembrei do trágico e doloroso período que passei em minha vida, e então resolvi dividir com vocês, até por que vocês contribuíram muito indiretamente para minha recuperação...Vejam a seguir.
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No dia 03 de maio de 2009, fraturei o fêmur da perna direita em um acidente de moto. Nunca pensei que minha vida iria mudar tanto, após aquela tarde. Assim que cair e percebi que tinha muitas pessoas me socorrendo, não sentir dores e nem mesmo pensei na minha situação. O meu pensamento foi direto em minha mãe, sim, em minha mãe; na decepção que estava causando a ela, no que ela iria falar, na culpa eterna que iria carregar. Só fui perceber que tinha fraturado a perna no momento que o radiologista me mostrou o raio x e disse: “você vai ter que fazer uma cirurgia agora...” Foi quando despertei e comecei a gritar de dor; a minha fratura não foi exposta porém, foi grave pois tinha fraturado o fêmur em vários lugares.
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Até então, minha mãe não sabia do meu acidente, pois estava em outra cidade circunvizinha, mas logo após a notícia, ela apareceu no hospital e ao entrar na sala de observação o olhar dela foi tão intenso, tão revelador, que não necessitou de palavras. Suas atitudes foram mais que especiais durante todo o meu processo de recuperação, pois, ela foi e é o meu porto seguro.
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Fiz a cirurgia um dia após o acidente, coloquei uma placa e dez pinos. [esse raio x foi quando completei 5 meses de cirurgia]. Após dois dias estava em casa e começou então todo processo de recuperação.
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A minha vida mudou por completo. Era um jovem muito ativo, cheio de energias, tinha dois empregos, todos finais de semanas em baladas, barzinhos... E de repente, estava acamando sem poder caminhar, sem poder abrir a porta da rua para o meu cachorro, sem poder fazer muitas outras coisas que tanto amo fazer. Tudo mudou: perdi um dos empregos e perdi todas as pessoas que me cercavam e se diziam serem meus amigos. Quando me dei conta disso tudo, chorei muito, entrei em pânico...foi quando ouvir uma música que meu irmão estava escutando no quarto dele, que diz:
Todos vivemos dias incríveis
Que não passam de ilusão
Todos vivemos dias difíceis
Mas nada disso é em vão
E as cicatrizes dessa história mal escrita
Se converteram no aprendizado da reconstrução
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[Beco Sem Saída, do Charlie Brown Jr.]
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O trecho dessa música marcou muito toda minha recuperação. Foram muitos dias com dores na perna, que mesmo os mais fortes medicamentos pra dor, não fazia parar...Fiquei durante 15 dias acamando, tomando banho e fazendo as refeições na cama. Ao meu lado somente a minha mãe e meu irmão: as únicas pessoas que pude contar, e que durante o processo de recuperação nunca se negou em fazer nada para me ajudar...Por muitas vezes, acordava meu irmão para ele pegar água pra tomar, pois até isso, fiquei limitado.
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Após os 15 dias acamando e com a liberação médica, comecei a fazer fisioterapia em uma cadeira de rodas. Começou então outra fase, novos desafios, encarar meus vizinhos, colegas de trabalhos e outras pessoas, te olhando com pena, foi um desafio grandioso. E se passaram 02 meses até sair da cadeira de roda e ir pra moleta. Passei mais 07 meses com o par de moletas. Porém, no terceiro mês de recuperação voltei ao trabalho, o que melhorou minha autoestima.
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Quando completei 09 meses, o medicou liberou a descarga de peso e com ajuda dos meus fisioterapeutas, comecei a avançar. Só que tinha um problema: o meu osso tinha parado de calcificar e o calo ósseo estava demorando demais para se formar, o que segundo o médico era um risco que sofria, pois minha placa poderia quebrar a depender da situação.
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E com 01 ano após a minha primeira cirurgia, no dia 28 de julho de 2010, tomando banho, escorreguei e quebrei a placa...Por um minuto pensei: vou recomeçar tudo novamente e então chorei tanto ainda dentro do banheiro. Logo fui socorrido pelo meu irmão que me colocou deitado na cama com a ajuda de minha mãe e logo após acalmar toda aquela tensão, ele mais uma vez colocou uma música que diz assim:
Histórias, nossas histórias
Dias de luta, dias de glória
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[Dias de Luta, Dias de Glória, do Charlie Brown Jr.]
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Passei então, por outra cirurgia, mas não com a mesma complexidade que a primeira, pois só tinha quebrado a placa. Durante a cirurgia o médico realizou um enxerto ósseo, o que fez avançar o processo de recuperação e graças a DEUS logo após o segundo mês, comecei a descarregar o peso da perna.
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Hoje, estou andando devagar, é claro, e melhorando a cada dia, treinando e fortalecendo a musculatura da perna, para logo mais voltar a correr. Mas, no dia 30 junho, meu médico emocionado ao ver meu último raio x, disse: “você está liberado para recomeçar sua vida...voltar a fazer tudo que você sempre fez”.
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Fiquei super feliz...E então lembrei de todos os momentos de dores, tristezas e solidão que passei, onde na maioria das vezes, vocês amigos blogueiros que levantam minha autoestima sem saber da situação que estava vivenciando. E por isso, agradeço a todos vocês que indiretamente, contribuíram para minha recuperação. Pois, não é somente o físico que é abalado durante um acidente, e sim o emocional. Obrigado.
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"Sem lenço, sem documento
Nada no bolso ou nas mãos
Eu quero seguir vivendo...Eu vou"
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Depois da tempestade, caminhar tornou-se algo precioso em minha vida...
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"Agora sou a prova viva de que nada nessa vida
É pra sempre até que prove o contrário..."
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