terça-feira, 10 de maio de 2011

Paz nas Escolas


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O assassinato brutal de 12 crianças em uma escola em Realengo não afetará o PIB de 2011. Por isso, corremos o risco de um fato tão grave ser esquecido dentro de pouco tempo, como aconteceu com o assassinato de seis crianças em Luziânia, Goiás, em 2010.

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Isso porque ainda estamos presos à economia e ao imediatismo.

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Quando ocorre um crime como o de Realengo, a busca pela segurança prevalece sobre a ideia da paz. Desde essa tragédia, surgiram várias propostas para evitar a violência nas escolas: muros, detectores de metal.

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Mas não são solução para formar as futuras gerações que governarão o País. Mesmo para garantir a segurança imediata é preciso ter a perspectiva da paz, no médio e longo prazo. E para isso, devemos entender melhor o problema da violência nas escolas.

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A sociedade brasileira é violenta, e é difícil imaginar uma escola em paz cercada pelo tráfico, pelo assassinato de crianças, por lares violentos. Existe ainda a violência da miséria convivendo com a riqueza, ainda mais em uma sociedade permissiva e que não pune a violência que se espalha diariamente.

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É preciso lembrar que nos últimos cinco anos foram assassinadas mais de 10 mil crianças, que muitos outros milhares morreram por falta de cuidados. E que há uma violência aceita com naturalidade: o vandalismo na escola, das cadeiras quebradas, dos prédios degradados por atos de alunos ou pela omissão de governantes; o desrespeito ao professor; o bullying generalizado.

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A construção da paz depende de uma mudança cultural, mas também de leis que estimulem o respeito pela escola e a punição de todos os crimes: dos assassinos em massa aos vândalos.

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Um dos passos é criar no MEC um setor educacional dedicado à segurança, sob a ótica da paz. Para construir um pacto dentro da sala de aula, envolvendo professores, alunos, pais e servidores, e proteger os arredores da escola, usando a capacidade e a competência dos policiais. A escola passa a ser pacífica por dentro, e protegida de forma invisível por fora. Projeto nesse sentido está no Senado desde 2008, é o PLS 191.

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Isso não basta, pois a violência não existe apenas na escola, afeta milhões de crianças que não têm um setor público federal que tome conta delas: uma Agência (Secretaria Presidencial) Nacional de Proteção à Criança e ao Adolescente. Como já existem para jovens, afro-descendentes, mulheres, índios. Um Projeto de Lei nesse sentido foi apresentado ao Senado há quase seis anos.

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Cinco dias depois da tragédia de Realengo, a Comissão de Finanças da Câmara dos Deputados mandou arquivar, porque ele envolvia algum custo. Foi aprovada a criação de um ministério para cuidar das pequenas e médias empresas, mas falta dinheiro para cuidar dos pequenos e médios brasileiros.

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Também está tramitando no Senado o PLS 518/2009, que propõe concentrar a ação do MEC na educação de base. Nem é preciso criar um novo ministério, as universidades podem ser bem cuidadas pelo Ministério de Ciência e Tecnologia.

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Ajudaria a trazer paz às escolas o PLS 480/2007, pelo qual seria falta de decoro um político eleito proteger seus filhos em escolas privadas, abandonando as públicas para os filhos dos seus eleitores. Esse também está engavetado na Comissão de Constituição e Justiça.
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Cabe lembrar que a paz na escola só virá se tivermos escolas com qualidade. Só temos um caminho: criar uma carreira nacional do magistério básico e um programa federal de qualidade escolar em horário integral. Projeto para ambos tramita no Senado desde 2008.

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Finalmente, é preciso implantar o cartão federal de acompanhamento de toda criança, desde o nascimento, ou mesmo antes, desde a gestação, como o MEC iniciou os estudos em 2003.

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Depois de assistirmos a tantas mortes, de sabermos que nossas escolas são depredadas e violentadas diariamente, esperemos que a monstruosidade cometida em Realengo desperte a população para a importância de ir além da segurança e construir a paz de que todas as escolas precisam.
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Cristovam Buarque é Professor da Universidade de Brasília e Senador pelo PDT/DF
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11 comentários:

Lis disse...

Me preocupa se um Senador não consegue que seus pares desengavete os bons projetos e faça a coisa funcionar , que faremos nós do lado de cá?
O texto é o que seria o ideal e ele fala para a população despertar pra a importancia de ir além da segurança e construir a Paz ,
e os Governantes será o que poderão fazer?
cada vez mais me desiludo com tantas palavras e pouca Atitude!!

abraços Hugo

Machado de Carlos disse...

As grandes mortes são preocupantes, realmente. Assim como o caso de Realengo, o caso Bruno também já foi esquecido. A mídia sempre acha uma preocupação Maior.
Mas o que mais incomoda é a quantidade de impostos que pagamos e, que transforma o Governo na Maior Empresa existente. Sabemos que de uma simples bala até a um carrão, ali está quantia de Impostos a ser paga aos cofres públicos. Entretanto este montante deveria fiscalizar o trânsito que estatisticamente é o que mais mata neste País. Imagine quantas pessoas não morrem no trânsito diariamente. Eles – Os governantes deveriam investir tudo em saúde e trânsito. Com o dinheiro, já nos cofres públicos deveríamos ter hospitais de primeiro mundo.

Cacá - José Cláudio disse...

O que estamos presenciando na sociedade a meu ver, Hugo, é a necessidade de todo mundo se livrar dos problemas. Pouca gente discute o enfrentmento deles coletivamene. Cada um quer se ver livre e ai acabam aparecendo soluções "definitivas" para tudo. Eu pergunto: a violência chega à escola por quais meios? Ela é oriunda de lá de dentro ou vai lá para dentro e se reproduz como iniciou cá fora? A solução policial e legal é necessária mas não pode ser o fim. Gostei do texto. Meu abraço. Paz e bem.

Sandra Botelho disse...

Hoje vim lhe fazer um pedido urgente e sério,
Por favor assine e divulgue

Lei covarde, cruel e homofóbica.
Em 12 horas, o parlamento ugandense pode votar uma nova lei brutal que prevê a pena de morte para a homossexualidade. Milhares de ugandeses podem enfrentar a execução - só por serem gays.

Nós ajudamos a impedir esta lei antes, e podemos fazê-lo novamente. Depois de uma manifestação global massiva no ano passado, o presidente de Uganda, Museveni, bloqueou o progresso da lei. Mas os tumultos políticos estão crescendo em Uganda, e extremistas religiosos no parlamento esperam que a confusão e a violência na rua distraiam a comunidade internacional de uma segunda tentativa de passar esta lei cheia de ódio. Nós podemosmostrar a eles que o mundo ainda está observando. Se bloquearmos o voto por mais dois dias até que o parlamento feche, a lei expirará para sempre.
Para assinar clique nesse link:
http://www.avaaz.org/po/uganda_stop_homophobia_petition?fp

Maria Dias disse...

Concordo com vc.

Beijos

Maria

hellomotta disse...

Sabe qual é o problema, Hugo? Eu li uma frase ontem que diz muita coisa.
"Lutar pela paz à base de guerra é defender a virgindade por meio do sexo!"

Quem é da proximidade de Realengo, vai ser algo marcante. Pro resto do mundo vai virar Columbine.
=/

Diogo Didier disse...

kkkkkk...Hugo vc é um amor! pode pegar quantos posts quiser SEMPRE, pois acho muito importante essa interação entre blogueiros, sobretudo quando estes são professores, como no nosso caso.

Tbm vou pegar alguns posts BEM LEGAIS q andei vendo por aqui viu?! rsrsrsrsrsrrsrs...pois, como já diz o meu blog!

SER FELIZ É SER LIVRE!

Bjoxxxxxx no coração meu amigo! a sua presença é sempre uma honra!

Diogo Didier disse...

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Tbm vou pegar alguns posts BEM LEGAIS q andei vendo por aqui viu?! rsrsrsrsrsrrsrs...pois, como já diz o meu blog!

SER FELIZ É SER LIVRE!

Bjoxxxxxx no coração meu amigo! a sua presença é sempre uma honra!

Vinicius.C disse...

Olá Hugo!

Por isso arrisco mesmo os meus sentidos para manter amizades como a sua!

Orgulho-me do jovem que é garoto!

Um forte abraço e sempre a te esperar no Alma!

Abraços!

Mylla Galvão disse...

Hugo,
Não sei se dar pra esquecer algo tão brutal assim!
Eu tenho pra mim q vai ser um pouco mais difícil... Pq como vítima de bullying na adolescência, eu senti na pele, o que este assassino poderia fazer e fez se ele talvez fosse eu...
Não cheguei a tanto... mas sofri demais com o bullying...
O que o país precisa é de uma campanha nacional contra esse mal terrível que prolifera nas escolas.
Tem mtos estudantes por aí, sofrendo o que eu sofri... Alguns vão aos extremos, outros sofrem calados por anos a fio... como eu...
E sempre fiando na máxima fajuta: quem sabe algum dia muda?

Abraços

Daniel Savio disse...

Infelizmente, violência é uma herança que só se agrava se não fizermos nada...

Fique com Deus, menino Hugo.
Um abraço.