segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

A Difícil Descoberta da Sexualidade


É na adolescência onde ocorrem as mudanças mais bruscas na vida de cada individuo. Nessa fase, o nosso corpo começa a metamorforizar-se para que estejamos prontos para a vida adulta. São transformações biológicas, físicas e comportamentais, modelando cada característica que irá compor a nossa personalidade. Entre as grandes mudanças desse período, uma pode ser considerada como decisiva, talvez a mais importante: a descoberta da sexualidade. Esta, por sua vez, manifesta-se diferentemente entre meninos e meninas. Neles, o primeiro contato sexual culturalmente acontece mais cedo, no geral entre os 13 a 14 anos de idade. Nelas, porém, isso pode variar entre 15 a 17 anos de idade. A grande discussão é quando esse adolescente descobre que é homossexual em meio ao turbilhão proporcionado pela sexualidade desse período da vida.
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Como se sabe, a homossexualidade não tem uma causa aparente e nem tão pouco uma teoria estanque que explique a sua iniciação. Sabe-se apenas que ela é inerente em determinados indivíduos e se forma construtivamente nas relações nas quais esses indivíduos realizam com o ambiente em que estão inseridos. Devido a essa falta de teorização, muitos jovens sofrem com a descoberta de uma possível identidade sexual ligada a homossexualidade e, por causa disso, os conflitos são inevitáveis. O primeiro deles é sem dúvidas a autoaceitação, é encontrar dentro de si as respostas para as inquietações sobre esse assunto. O segundo é a aceitação da sociedade, ou seja, o que na adolescência se resumiria aos amigos e colegas de escola. É nesse ambiente onde ocorrem as primeiras relações sociais, é também onde nos inserimos ou não em determinados grupos de acordo com as características pré-selecionadas por cada membro. O receio de assumir a homossexualidade nesse período se configura na não aceitação entre os grupos, gerando futuros traumas irreversíveis.
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O terceiro e, na minha concepção o mais importante, é a aceitação da família. Essa instância da vida dos adolescentes é o principal obstáculo a ser ultrapassado quando o tema em questão é a homossexualidade. Muitas famílias não estão preparadas para aceitar um filho (a) homossexual, por puro desconhecimento que resvala nos vales dos preconceitos historicamente conhecidos. Por isso, muitos jovens passam por extremas frustrações, sofrimentos e uma série de tormentos quando se arriscam a expor a sua sexualidade para os entes mais próximos. Outros, no entanto, vivem anos e anos, escondendo (no armário), e preferem escolher uma vida de sofrimento e insatisfação a ter que encarar a sua homossexualidade de frente. Por causa disso, estudos recentes comprovam que o índice de suicídio na juventude tem crescido assustadoramente, devido a frustrações ligadas aos conflitos com a sexualidade.
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É nesse momento que entra à educação. Ela é crucial para descortinar as sombras que insistem em escurecer as mentes da sociedade quando o assunto é educação sexual. Ainda há um tabu sobre isso, sobretudo quando está relacionado com a homossexualidade. Muitas famílias preferem “curar” seu filho (a) gay, a ter que buscar meios de entender o momento pelo qual ele (a) está passando. Essa falta de diálogo acaba ampliando as crateras construídas pela discriminação, elemento distintivo que tenta enquadrar o jovem homossexual a um padrão heteronormativo imposto pela sociedade. O resultado de tudo isso são adolescentes confusos, inseguros e despreparados para assumir e/ou aceitar a sua identidade de gênero. Felizmente, esse ano parece que algo em prol da educação sexual/homossexual será feito pelo nosso Governo. Falo da distribuição de uma cartilha explicativa para as escolas públicas brasileiras, clarificando as questões ligadas as descobertas da sexualidade, bem como da homossexualidade. Além disso, serão trazidos à tona temas como identidade de gênero e homofobia, cruciais para esclarecer os atos de violência cometidos contra a comunidade LGBTT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transex) nos últimos anos.
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Se a adolescência já é complicada por excelência, ela fica ainda mais quando não é compreendida, orientada e respeitada. Nossos jovens estão sofrendo calados por não encontrarem apoio para resolverem os seus problemas mais íntimos. E a sexualidade constitui o principal deles. Pais e mães não podem se guiar por um modelo educativo tão fadado e heteronormativo, impondo aos seus filhos caminhos maniqueistas de vida, em outras palavras, eles não podem obrigá-los a seguir rotas pré-definidas de acordo com o seu juízo de valor. O papel dos pais é orientar, acompanhar e, principalmente dialogar com seus filhos quando algo diferente está acontecendo na vida deles. Temos que desconstruir essa educação sexual limitada que acaba desestruturando famílias Brasil e mundo a fora, só por falta de conhecimento e intolerância. Penso que a homossexualidade, bem como outros conflitos vividos pelos adolescentes, podem e devem ser encarados com maturidade e respeito, para que pequenas feridas de hoje não se tornem os traumas irreparáveis de amanhã.
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31 comentários:

Pés de bailarina disse...

grande verdade :)

Diogo Didier disse...

Gente, quanta honra! Não sei se estou feliz pelo o meu texto postado ou se pelo LINNNNNNNNNNNNNNDO layout q vc escolheu...

Ficou muito bom MESMO...a mudança trouxe renovação, leveza e equilibrio...gosto muito de mudar, transformar o meu espaço...acredito que mudar tudo atrai coisas novas, novas energias, revigorando nossas postagens...

Ficou maravilhoso amigo e fico feliz por vc!!!!!!!!! bjoxxxxxxxxxxxxx no coração!

Paulo Braccini disse...

Lindíssimo e relevante ... parabéns ao Hugo e ao Diogo ...

bjux

;-)

Wanderley Elian Lima disse...

Olá amigo
Eu já tinha lido esse texto no blog do Diogo, e achei excelente. Parabéns a você por publicá-lo,
Bjux

Essência e Palavras disse...

Respeito, olhos nos olhos, um pouco de tudo isso que se precisa!

Muito bom texto!

beijo meu!

Daniel Savio disse...

Realmente as familias deveria estar melhores preparadas para entender este momento, pois isto ajudaria forma uma sociedade (pois a familia é aonde primeiramente nos ensinam a sermos parte de um grupo, então imagina se o nosso grupo começa a ostilizar os próprios membros)...

Fique com Deus, menino Hugo.
Um abraço.

Lou Albergaria disse...

Fantástico o post!

Maravilhoso poder quebrar tabus e isso só é possível com informações e espírito aberto.

Parabéns, Menino de luz e amor!

Saudades!

Agora que voltei das férias poderei estar mais presente ao seu lindo blog.

BEIJOS!!!

Fatima disse...

Bela escolha de vcs dois!!!
Bjs.

Flor de Lótus disse...

Oi,Hugo!Nossa maei o novo layout ficou lindo demais.A adolescÊncia já é um turbilhão de emoções e a sexualidade é masi um assunto uqe vem pra por mais lenha na fogueira...
Uma ótima semana!
Beijosss

Franck disse...

Interessante texto e que bom ter postado aqui!
Abçs*

"(H²K) - Hamilton H. Kubo" disse...

Ótima postagem, muito tranquilo o novo layout!

Parabéns Hugo!

Wevertton disse...

Oii tô passando pra avisar que ja voltei de viagem, e que o blog ja tem postagem nova! Passa lá, 2011 o blog estará cheio de novidades!

Abraços

Mila Lopes disse...

Bela postagem...
Parabéns!

Bjs

Mila

Cacá - José Cláudio disse...

Estou de pleno acordo, Hugo. A começarar pela família, berço e base de tudo, se não houver apoio, diálogo e mãos dadas, os traumas serão inevitáveis para todo mundo. Pois a sociedade tem uma enorme dificuldade em lidar com diferenças de toda espécie de forma respeitosa e construtiva. Meu abraço. paz e bem.

Serginho Tavares disse...

O Diogo é um querido!
Adoro o blog dele e adorei que você postou aqui este post também

Adorei o novo layout

Beijos

Afrodite disse...

Não há nada que possa acrescentar depois desse excelente post,HSLO!
Um beijo!

Nilce disse...

Texto fantástico Hugo.
A compreensão, o amor e a união da família é o mais importante em qualquer que seja a condição humana.
A felicidade dos filhos, deve ser sempre o ideal dos pais.
Parabéns ao autor e obrigada por compartilhar.

Bjs no coração!

Nilce

PS: Gostei do layout.

Lúu Almeida disse...

Coisa nova por aqui!
; )

Flores!

Xanele disse...

HUMMM
VISUAL NOVO, ADOREIII
BJSSS QUERIDO

feiticeira disse...

ESpaço novo, muito aconchegante aqui, sobretudo quando se entra com texto desta qualidade...

Sandra Botelho disse...

Excelente texto, tomara que muita gente por ai, pare um pouco pra ler e refletir.
Bjos achocolatados

Felipe Faverani disse...

Oi, Hugo, tudo bem?
Texto maravilhoso! Bom saber que existem pessoas como você somadas à essa batalha pelo respeito e pela diversidade do amor.
Parabéns!

Abraão Vitoriano disse...

uma nova fase de descobertas e estímulos, uma porta aberta é a imagem que mais tenho!

beijos,
do menino-homem

fique com Deus!

Nara Sales disse...

Meu caro, obrigada por me visitar! Seu blog continua lindo. Abraços.

. intemporal . disse...

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. a sexualidade é uma latência de dentro .

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. não a descobrimos . a.penas e só a re.descobrimos .

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. h_______u_______g_______o .

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. um beijo .

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Graça Pereira disse...

Costumo dizer aos jovens com quem trabalho: Não devemos ter medo das palavras!
Tanto sofrimento por falta de conhecimento e aceitação.
Em Moçambique tive um amigo gay ( e nessa altura era mesmo tabu, mas ele desabafa muito comigo) era um dançarino nato. Nos bailes, era o meu par preferido...meu Deus como ele dançava bem! Eu parecia uma pena nos seus braços...conto isto porque se perde tanta coisa bonita, como esta amizade que eu tive com ele. Infelizmente já não está entre nós mas, sempre que oiço um tango ou outra música que dançávamos, lembro-me dele e, sobretudo da sua delicadeza.
beijo
Graça

Dalva disse...

Preconceito e discriminação me deixam triste. Muito bem elaborado o texto!
Bjs.

Diogo Didier disse...

Quantos comentários!

Estou muito feliz em ver a aceitação do seu público para com o meu texto. É dessa interatividade da qual sinto falta nos blogs.

Parece q rola uma disputa, desnecessária, entre blogueiros para ver quem faz o melhor post ou o post mais inovador. Falo isso porque andei vendo uma coisas pela blogosfera das quais não me agradaram em nada, aff! Deixa prá lá!

Vamos fazer a nossa parte, neh querido?! bjoxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx no coração!

Lúcia Soares disse...

Diogo e Hugo, parabéns pelo texto.
O autor e o divulgador merecem os aplausos.
A sexualidade humana é muito especulada, levando-a em consideração, às vezes, mais até do que ao próprio indivíduo.
Ser ou não ser, eis a questão.
Ninguém opta por ser homossexual. Então, porque tem que se submeter a ser "aceito"?
Somos o que somos e, em primeiro lugar, somos pessoas.
Beijo aos dois.

Adriano Berger disse...

Hugo, mais um texto rico em conteúdo que quero cumprimentá-lo por postar. Sempre é polêmico, é verdade, pois envolve algo que aindo foge do senso comum da coletividade.

No que tange a fatores comportamentais, gosto de abrir sempre os horizontes com argumentos paralelos e similares sobre o tema central: aceitação x não aceitação da individualidade.

Veja que as pessoas podem direcionar suas vidas para o caminho que melhor lhes parece, e em muitas vezes esbarra nos conceitos pré-fabricados da sociedade.

Por exemplo, um protestante tem imensa dificuldade em aceitar um filho que migra para o espiritismo. Migra não, ele opta por uma doutrina que julga mais apropriada para sua fé. Alguns fingem que apóiam quando uma menina resolve entrar para um convento de freiras, mas lamentam essa decisão como se fosse uma forma de jogar fora toda a sua capacidade profissional e de projeção social em troca de viver por conta do cristianismo. Outros são chamdos de vagabundos por optar por uma vida errante, percorrendo o mundo sem vínculo e nem carreira fixa, coisa que a sociedade estabeleceu como regra de normalidade.

E o homossexualismo passa pelo mesmo processo. Essa decisão é apoiada pelo homossexual, mas é condenada por muitos heteros.

Minha conclusão é a seguinte: o plano educativo do governo deve tratar o assunto na origem, com os adultos, para que aprendam a conduzir os mais novos a tomarem decisões mensurando as consequências boas e ruins de cada uma delas. Alguns dizem que casar não é bom, e dizem até que ter filhos não é bom. Mas tudo deve ser respeitado, e quem opta por não casar sabe que para si, para a sua felicidade, manter-se solteiro é melhor do que viver a dois.

Nos tempos de escola eu participava todo ano da semana profissional, que consistia em assistir o workshop de cada carreira, a fim de elucidar qual era o presente e o futuro de cada profissão. Com isso podíamos comparar cada coisa com nossa própria personalidade e apego, decidindo o que iríamos ser "quando crescer".

Na mesma temática acredito que as pessoas não devem promover o que é certo e o que é errado para cada decisão individual, e sim demonstrar o que é cada coisa para que o jovem em desenvolvimento conheça e decida o seu caminho. Assim o homossexualismo deixaria de ser tratado como uma anormalidade e seria apenas mais uma das escolhas que cada um pode fazer para sa própria vida.

Não se deve promover palestras para ensinar a aceitar o homossexual. Deve-se promover palestras para ensinar a aceitar a individualidade e o meio de vida de cada um, seja na sexualidade, na religião, ou na tribo em que se opta em viver. Promover a aceitação do homossexualismo é dar murro em ponta de faca... acredito que é mais fácil e produtivo ensinar a conviver do que ensinar a aceitar.

Grande abraço!
Adriano Berger

Tiago Fagner disse...

Como disseram aí em cima: Relevante. O Brasil precisar crescer e muito no respeito em geral e, particularmente, e relação a orientação sexual.


Abração rapaz!