quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Unesco aprova a distribuição de kits contra a homofobia nas escolas


A Unesco - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura publicou um parecer favorável à distribuição em escolas da rede pública para alunos do ensino médio de kits informativos de combate à homofobia que fazem parte do projeto Escola sem homofobia, que conta com apoio do Ministério da Educação. O projeto ganhou ainda a aprovação de outro órgão das ONU, a Unaids - Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids.
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O material do programa foi desenvolvido com apoio e supervisão da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade (Secad), órgão ligado ao MEC, e executado em parceria com a Global Alliance for LGBT Education (Gale) e as organizações não governamentais Pathfinder do Brasil (coordenadora do projeto), Ecos – Comunicação em Sexualidade, Reprolatina e Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).
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O kit foi elaborado após a realização de seminários com profissionais de educação, gestores e representantes da sociedade civil. O material é composto de um caderno que trabalha o tema da homofobia em sala de aula e no ambiente escolar, buscando uma reflexão, compreensão e confronto. Tem ainda uma série de seis boletins, cartaz, cartas de apresentação para os gestores e educadores e três vídeos. O projeto-piloto está sendo analisado pelo MEC. O plano inicial é distribuir 6 mil kits nas escolas públicas do país ainda este ano.
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A questão da homofobia é presente nas escolas, especialmente no ensino médio. Segundo pesquisa da Unesco divulgada em 2004 e raplicada em 241 escolas públicas e privadas em 14 capitais brasileiras, 39,6% dos estudantes masculinos não gostariam de ter um colega de classe homossexual, 35,2% dos pais não gostariam que seus filhos tivessem um colega de classe homossexual, e 60% dos professores afirmaram não ter conhecimento o suficiente para lidar com a questão da homossexualidade na sala de aula.
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De acordo com o parecer da Unesco, assinado por Vincent Defourny, representante da entidade no Brasil, "os materias do Projeto Escola sem Homofobia estão adequados às faixas etárias e de desenvolvimento afetivo-cognitivo a que se destinam". Diz ainda que este projeto se utiliza do espaço da escola para ariculação de políticas públicas voltadas para adolescentes e jovens, fortalecendo e valorizando práticas do campo da promoção dos direitos sexuais e reprodutivos destas faixas etárias.
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O documento conclui que o "o conjunto de materiais foi concebido como uma ferramenta para incentivar, desencadear e alimentar processos de formação continuada de profissionais de educação, tomando-se como referência as experiências que já vêm sendo implementadas no país de enfrentamento ao sofrimento de adolescentes, lésbicas, gays, bissexuais, transexuais, travestis e transgêneros.
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Fonte: g1.globo.com
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12 comentários:

Daniel Savio disse...

Algo triste que a nossa sociedade que deveria ser o exemplo tolerância e o contrario (exemplo da intolerância)...

Fique com Deus, menino Hugo.
Um abraço.

Cacá - José Cláudio disse...

Muito boas iniciativas desse tipo, Hugo. A minha tese é a seguinte: Tem que educar contra preconceitos nas escolas para que as crianças reproduzam novos valores em casa. Já vimos que o caminho inverso não tem surtido efeito. Os pais costumam ser os primeiros a disseminar preconceitos junto aos filhos. Um abraço. Paz e bem.

EDER RIBEIRO disse...

Salutar a campanha e deve ser aplicada, mas penso que são os pais que devam ser reeducados para perder essa maldita herança católica que acha antinatural a homossexualidade, como se no reino animal não tivesse essa relação, e sabemos que tem. Abçs, Hugo.

Tatiana disse...

Acho que toda a forma de educar e conscientizar as pessoas é válido!
As pessoas precisam ter um olhar de mais amor pelo próximo!

Um abraço carinhoso

Leonor Lourenço disse...

Ainda não tinha visto teu espaço renovado:) Beijo

Chá das Cinco disse...

Qualquer tipo de preconceito é abominável.

Somos livres para fazermos as nossas escolhas.
A crítica alheia, esta sim é responsável pelas perceguições contra aquele que para a sociedade não estão dentro do modelo politicamente correto exigido pelos hipócritas.

Beijos
Gemária Sampaio

Sandra Botelho disse...

Eu odeio o preconceito e todos que o tem seja contra o que for...ou quem quer que seja.Odeio, repugno.
Bjos achocolatados

Fabrício disse...

Acho importante esse kit mas o governo simplesmente dar um material desse para as escolas e não treinar os professores para tratar do tema nao vai valer de nada.
Fora que nosso país é atrasado culturalmente e esse tipo de educaçao precisaria tambem vir de casa. Eu ja posso ate imaginar os pais de alunos dando xiliques quando os filhos levarem o kit para mostrar em casa.
msm assim iniciativa valida.
bjs

Elaine Barnes disse...

Realmente concordo com Cacá, deveriam ensinar em casa e nas escolas desde pequenos. Deveria fazer parte de matéria e de educação. Amei o tema. Montão de bjs e abraços

Renato Orlandi disse...

Isso é importante.

Fico pensando se tinha a mesma coisa para os negros, e no futuro para quem? os aleijados?

abraço!

Blog da Escola Virtual para Pais disse...

Oi, Hugo,
Compartilhei o link desse post no Portal da Escola Virtual para Pais - http://www.escolavirtualparapais.com.br , ok?
abs,
Marcia Taborda

Adriano Berger disse...

Hugo, eu ainda estou um pouco cético a respeito da produtividade efetiva desse material. O assunto é demasiadamente complexo, pois envolve a natureza humana, os valores da sociedade e a religião.

Ou seja, deve-se respeitar a opinião de ambas as partes: um respeita o direito do outro de ser homossexual, enquanto o outro respeita o direito do primeiro de não curtir o homossexualismo.

Pessoas têm diferentes personalidades, e há aqueles perfis com os quais não queremos nos misturar e nem que nossos filhos se misturem. Meu pai não gostava de minha amizade com a turma do "fundão", aqueles que bagunçam na escola. Isso é uma forma de preconceito? Também não gostava que eu mantivesse amizade com o grupo que fuma e bebe demais da conta na faculdade. É uma forma de intolerância? Há gente que não suporta os ricos arrogantes, e assim os evitam. É intolerância?

Portanto, o homossexualismo é uma situação particular que pode ou não ser aceita por alguém, por que não?

Estou citando situações a título de exemplo para mostrar que as pessoas têm uma tendência de escolher suas companhias de acordo com suas afinidades pessoais e comportamentais. E caso o homossexual, o fumante, o bagunceiro ou o mulherengo não façam parte do perfil de uma pessoa, ela pode sim evitar sua companhia e influenciar seus filhos e amigos com sua opinião a esse respeito. Normal, é o direito de cada um.

Nesse caso, chamar de intolerante alguém que não se sinta bem em companhia de um homossexual também é uma forma de intolerância! Ou ele não tem o direito de apoiar e criticar as diferentes formas de comportamento das pessoas? Tem gente que não gosta de macumbeiro, tem quem não gosta de evangélico e quem não gosta de católico. Convive-se no dia a dia com cada um deles, mas não precisa ser obrigado a concordar com seus valores pessoais, podendo evitar sua companhia quando lhe for conveniente.

Em resumo, amigo Hugo, sabe de meu respeito por essa causa e de minha transparência ao levantar essas questões com liberdade, pois sou "intolerante" com alguns comportamentos, mas não estou no grupo dos homofóbicos. Porém, acredito que pode estar havendo uma distirção de foco quando tentam obrigar a coletividade a aceitar algo com que não compactuem em sua escala de valores.

Com isso, me sentiria mais confortável se na escola abordassem com mais força a disciplina complementar de Educação sexual, onde o assunto da sexualidade seria tratado na esfera científica, biológica e psíquica do ser humano. Muito mais fácil de se explicar e de se fazer compreender do que simplesmente tentar convencer a juventude a tolerar o homossexual, como se ele fosse algum "anormal". Cientificamente é possível demonstrar que pessoas são diferentes entre si, nem sempre por opção própria. E isso deve ser respeitado.

Aliás, se o governo quer fazer algo verdadeiramente produtivo nesse sentido, deveria colocar censura nos programas humorísticos que usam personagens gays e transexuais para fazer piada deles próprios, o que é constrangedor de ser assistido quando estamos em companhia de um grupo onde haja um amigo homossexual no meio.

Em resumo, todos nós temos nosso ponto de intolerância, o direito de não concordar com alguma coisa. O que não pode faltar entre nós é o respeito para com a opinião e a conduta alheia.

Vamos esperar para ver no que consiste o Kit do MEC.

Forte abraço!
Adriano Berger